(Entrevista) LORDE LOBO – TOPMAN

Lorde Lobo é gaúcho, arte educador, jornalista e desenhista. Nascido em 7 de janeiro de 1973, desde cedo já se interessava por histórias em quadrinhos. Iniciou sua carreira de cartunista na década de 90, colaborando com diversos veículos impressos de sua região e prestando serviços de ilustração para as agências de publicidade e gráficas. Lorde Lobo é criador do herói brazuca Topman.
1 – Lorde, como iniciou seu interesse pelos quadrinhos (como leitor e desenhista)?
Iniciei beeeem cedo. Antes mesmo de eu saber ler, já mergulhava entre revistas de HQs. E não estou brincando, eu mergulhava mesmo, tal qual Tio Patinhas em suas moedas! Isso porque herdei de um tio várias coleções de revistas: Disney, Turma da Mônica, Recruta Zero, Mandrake e muitas outras. Eu adorava espalhar todas elas na sala e ficar entre elas, me encantando com tantas ilustrações bacanas! Lia, num primeiro momento, apenas as imagens e ao aprender a ler as letras, a paixão só aumentou.
2 – Hoje, como leitor, quais estilos você mais gosta?
Quando conheci o gênero dos super-heróis, foi paixão à primeira vista! Se não me engano, foi uma revista dos X-Men, em que uma nova equipe de heróis teria que ir até uma ilha viva para resgatar os membros fundadores. Meu estilo preferido são mesmo as HQs de super-herói, humor e terror.
3 – Você começou a publicar seus trabalhos ainda jovem na imprensa gaúcha, fale um pouco dessa época.
Eu fui trabalhar no jornal Agora (bem mais antigo do que o que existe em São Paulo, pois o daqui tem mais de 35 anos) como montador de páginas (na época não existiam computadores a disposição e tudo era manual). E como não existia internet, quando o chargista tinha algum problema, ele não tinha como enviar a charge... Numa destas ocasiões, para não repetirem, criei uma, tomando o cuidado de tentar reproduzir o estilo dele (na verdade eu não precisava ter feito isso, mas não sabia ainda). Isso foi em 1992 e desde então não parei mais.
5 – Qual a diferença de colaborar com jornais e com agências de publicidade?
Trabalhar com as duas coisas me foi muito importante! Uma verdadeira escola, pois aprendi a cumprir prazos e a trabalhar com metas, sem depender de inspiração. É um lance de baixar a cabeça, concentrar no trabalho e produzir! Faço isso até hoje, pois voltei a trabalhar no Agora (www.jornalagora.com.br) e hoje sou o jornalista ilustrador de lá, fazendo charges, tiras, ilustrações e editando um caderno infantil semanal, o Agorinha.
6 – O que o inspirou a criar o herói brazuca Topman (e os outros personagens da turma)?
Na verdade, quase todos os personagens do universo do Topman (pelo menos os primeiros), nasceram como super-heróis sérios... Mas como na época era quase inimaginável se lançar um super-herói sério, e o humor era algo bem mais plausível, transformei todos em personagens cômicos, adaptando algumas coisas, como os nomes. O Topman, por exemplo, se chamava “Pátria, o superagente brasileiro” e era nada mais que uma versão tupiniquim do Capitão América. É... Ele ficou bem melhor como é hoje! Hê! Hê! Hê!!
7 – Nas HQ’s e na TV há personagens humorísticos como Homem-Elástico e Chapolin, o Topman segue essa linha?
Hummmm... Talvez sim, pelo fato de também ser um super-herói de humor! Não conheço muito o Chapolin, pois nunca gostei muito dos programas do Chaves e Chapolin... Ele tem super-poderes de fato ou é apenas um cara fantasiado? Realmente não sei... O Topman é um ser extremamente poderoso, ele é uma espécie de bateria universal viva! Ele é alimentado pelo próprio universo, mas é um cara muito gentil e acredita na bondade do ser humano... Diria que ele é um tanto ingênuo, não?!
8 – Se o Topman pudesse mudar algo em nosso país, o que ele mudaria?
Há! Há! Há! Acho que a resposta é bem óbvia: a política!!!
9 – Atualmente, na imprensa gaúcha, você edita o tablóide Agorinha para crianças, propriedade do jornal Agora, como acontece a interatividade com as crianças por meio da arte?
É algo muito legal! O Agorinha é usado em sala de aula por muitas escolas! As crianças curtem demais! Quase toda semana recebemos, lá na redação do jornal, a visita de alguma turminha. A arte sempre atinge as crianças! E o mais barato disso tudo é que elas são verdadeiros! Se gostarem, na boa, mas se não, nem dão bola!
10 – Você tem alguma coisa no forno para ser lançado. Divulgue e mande sua mensagem aos seus fãs.
Bem, pretendo poder voltar a imprimir as revistas do Penitente. Estou com as edições 4 e 5 prontas. As demais (dum total de 10) estão em processo de produção. Além disso, tenho ideias de uma volta triunfal do Topman, que está parado desde 2006, ano em que saiu a última edição do prozine Areia Hostil (aliás, também sonhamos com uma possível volta deste título). Fora isso, estou amadurecendo a ideia de uma novela gráfica sobre zumbis (como dá pra perceber, é um tema pelo qual sou apaixonado, visto que o Penitente também é um...). Enfim, os planos são muitos! Pena que não é nada fácil pô-los em prática!
Site do desenhista:
Conheça o Agorinha, tablóide infantil editado por Lorde Lobo:
http://www.jornalagora.com.br/site/content/caderno_agorinha/agorinha.php
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