| METEORO! Entrevista com Roberto Guedes o Autor! | | No universo dos quadrinhos, o herói “Meteoro” é vivido por um jovem estudante, Ricardo Marinetti, que recebe os poderes de superforça, velocidade e de capacidade de voar. Os quadrinhos do personagem Meteoro expressam um clima juvenil, por ser um adolescente que vive em ambientes de namoro, paqueras, rock , sonhos e inseguranças perante o futuro. | Ricardo (Ric) recebe os poderes após ser atingido por um meteorito enviado por um ex-membro da Sinarquia Universal, uma sociedade secreta extra-espacial que pretende destruir o planeta Terra. | O personagem é uma criação do escritor e roteirista Roberto Guedes, autor de importantes livros como A Era de Bronze dos Super-Heróis, Quando Surgem os Super-Heróis e A Saga dos Super-Heróis Brasileiros. | Leia a seguir entrevista exclusiva com o inventivo roteirista Roberto Guedes. | 1 – Guedes, você iniciou sua carreira como escritor de histórias em quadrinhos de humor em 1988, fale um pouco dessa experiência? Dessa época, qual personagem e texto você destacaria? | Nessa fase em que produzi roteiros de humor para as editoras GED, Ninja e Phenix não havia nenhum personagem fixo. As histórias, tirinhas e gags (piada de um painel só) eram isoladas. Mas em paralelo, já escrevia HQs de super-heróis, como o Devastador, por exemplo, que era publicado em fanzines e revistas independentes. Tony Fernandes e Wanderley Felipe (Vanderfel) gostaram bastante de uma heroína de minha autoria chamada A Protetora, e, salvo engano, pretendiam publicá-la depois que a origem do Meteoro fosse lançada. Mas como todo mundo sabe, a Phenix fechou as portas antes que isso acontecesse.
| 2 – Em 1992, você fundou o selo “Fire Comics” para lançar sua linha de super-heróis, entre as edições (Os Protetores, Guerras dos Heróis , Quartel General, etc.), qual você elege a mais especial? | Só para esclarecer: em 1992, o selo se chamava “Status Comics”. Em 1995, com a inclusão de alguns parceiros, passou a se chamar “Fire Comics”. Desde sempre, a revista do Meteoro foi a mais popular entre os leitores, mas o gibi dos Protetores não ficava muito atrás. Os fanzines também vendiam razoavelmente bem. A Guerra dos Heróis acabou virando uma espécie de lenda no meio alternativo – até mesmo por que, ficou incompleta. (risos) Mas sempre tive mesmo, um carinho especial pelo Meteoro e os Protetores. | | 3 – Por que a editora Escala parou de lançar diversas revistas de quadrinhos nacionais e obras novas? | Apesar da Escala não faturar quase nada com o projeto Graphic Talents, tinha todo o interesse do mundo em continuar publicando o título, pois entendia que era uma boa manter um pé no segmento dos Quadrinhos. Além disso, o custo para se produzir era baixo – mesmo pagando valores razoáveis aos autores –, já que possuía (ainda possui) seu próprio parque gráfico. Acontece, porém, que o estúdio Mercado Editorial é que cuidava da produção editorial, e seu chefe decidiu por conta própria encerrar a produção de novas edições. Ele não queria ser responsável por uma revista que não vendesse bem. Foi por isso que Meteoro e Claudeciro (do Marcatti) acabaram saindo naquele tal Almanaque de Quadrinhos junto com várias reprises nada a ver: como Marcatti e eu já havíamos recebido, lançaram daquela forma. E mesmo assim, esse almanaquinho deve ter vendido muito, pois é o exemplar mais difícil do selo Graphic Talents de se encontrar por aí. | 4 – Considerando a sua experiência nas editoras em que você trabalhou, na sua percepção, qual o melhor posicionamento que um conselho editorial deve planejar na produção e distribuição de quadrinhos nacionais? | Esta não é tão fácil de responder, pois cada editora vive uma realidade diferente. Há editoras voltadas para a distribuição em bancas, outras estão direcionadas para as comic shops e livrarias. E outras, ainda, estão em tudo quanto é lugar. No caso específico do Quadrinho brasileiro, a pergunta inicial é “Para quem vamos vender este produto?”, com a resposta pra isso, as melhores resoluções serão tomadas (formato, papel de miolo, tiragem, divulgação, distribuição, preço de capa etc.). Enfim, podemos produzir a melhor HQ de todos os tempos, mas se o conjunto gráfico-editorial não estiver de acordo, tchau! | 5 – Qual o impulso criativo que o inspirou na criação e desenvolvimento do Meteoro? | Na verdade, foram vários, mas o principal deles se chama Stan Lee! | 6 – Na ficção, o universo de ação de Meteoro tem alguma referência com o personagem Superboy? | Você não é o primeiro que insinua isso. Eu nunca tinha parado pra pensar (já que, na confecção das primeiríssimas histórias do personagem, ainda nos anos 1980, eu estava totalmente “embriagado” pelas HQs do Homem-Aranha feitas por Lee, Ditko e Romita; além das aventuras juvenis do Nova, herói de Marv Wolfman), mas você pode ter razão, pois sempre gostei bastante do Superboy, principalmente daquela última série pré-Crise, desenhada por Kurt Schaffenberger. Portanto, a coisa pode ter rolado em um nível subconsciente. Vai saber... | 7 – Com o passar do tempo, Meteoro se tornará adulto e mais forte? Qual o futuro fictício do personagem? | Ah, Fernando, eu adoraria te dizer um monte de coisas que já planejei para o personagem, mas como ainda nem consegui lançar a nova série, prefiro manter o suspense mais um pouco. (risos) | 8 – Você publicou livros importantes como A Era de Bronze dos Super-Heróis, Quando Surgem os Super-Heróis e A Saga dos Super-Heróis Brasileiros. A respeito dos super-heróis brasileiros, o que falta para que os nossos personagens sejam tão reconhecidos pelo público como ocorre com os heróis dos quadrinhos estrangeiros? | Uma produção editorial decente, com planejamento adequado, bons pagamentos, uma equipe formada por autores realmente criativos, talentosos, e não “panelismos” etc. O que mais entristece nisso tudo, é que há editoras com infra-estrutura para tal, mas estas não estão dispostas a investir em Quadrinhos, quanto mais, no segmento super-heróico. Seja por pura descrença ou por acanhamento de tentar peitar o material gringo. Nos dois casos, trata-se de visão editorial míope. Os caras enxergam bem o que está logo à frente, mas não conseguem escapar do pessimismo embaçado que os condena ao fracasso antes mesmo de lançarem a primeira publicação. | 9 – Você sonha em adaptar Meteoro para vídeo/ animação? | Seria muito legal que essas coisas pintassem na decorrência do sucesso do gibi, não é? | 10 – O Brasil é repleto de grandes talentos em roteiro, desenho e arte-final. Qual incentivo e orientação você daria aos jovens criadores de quadrinhos brasucas? | Perseverar no estudo e aprimoramento daquilo que se propôs a fazer. Tirar lições com os profissionais experientes, assimilar as críticas construtivas e não se abater com os invejosos. | | Blog de Roberto Guedes : http://guedes-manifesto.blogspot.com/ | | |
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